A síndrome de apnéia e hipopnéia obstrutiva do sono é uma desordem caracterizada pela obstrução das vias respiratórias durante o sono. Esta obstrução inibe a passagem de ar para os pulmões e está normalmente relacionada ao colabamento das paredes da faringe.
Com o estreitamento das vias respiratórias, o ar encontra muita resistência durante sua passagem em direção aos pulmões e causa uma intensa vibração, popularmente conhecida como ronco. Quando há obstrução total, o individuo cessa o ronco e inicia um período de apnéia.
Os eventos de apnéia e hipopnéia reduzem a oxigenação do corpo e podem trazer sérios prejuízos. Além disto, em resposta a parada respiratória, o corpo libera adrenalina para estimular a contração muscular e retomar a respiração. A repetição dos eventos de liberação de adrenalina causam micro-despertares com interrupção do sono e do repouso e efeitos cardiovasculares sérios.

Figura 1. Apnéia obstrutiva do sono.

 

Quais são os sintomas da apnéia obstrutiva do sono?

Os principais sinais e sintomas de um portador de síndrome de apnéia e hipopnéia obstrutiva do sono são ronco, cansaço excessivo durante o dia, sonolência diurna, indisposição, cefaléia, impotência sexual, depressão, hipertensão arterial e sobrepeso. O ronco é um sinal de obstrução parcial da vias aéreas superiores, pois, como já dito, a passagem do ar encontra muita resistência e causa uma intensa vibração. Esta vibração é manifestada pelo som característico do ronco.
A apnéia obstrutiva do sono atinge mais comumente os homens, especialmente obesos e acima dos 40 anos de idade. A enfermidade pode desencadear ou agravar quadros de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, arritmias e infartos. Além disto, o ronco tem sido por anos causa de desentendimento entre casais e até mesmo separação conjugal.

 

Quais são os fatores envolvidos na apnéia obstrutiva do sono?

As principais causas de obstrução das vias aéreas superiores podem ser didaticamente divididas por regiões, sendo elas: nasal, bucal e cervical.
As obstruções da região nasal estão comumente relacionadas a desvios do septo nasal ou hipertrofia dos cornetos nasais inferiores, que bloqueiam a passagem de ar pelo nariz. Muitos pacientes já tem o diagnóstico de desvio de septo nasal, rinite, sinusite feito pelo otorrinolaringologista, todavia, não correlacionam estes problemas com a apnéia obstrutiva do sono.
As obstruções da região bucal podem estar relacionados a hipertrofia das amígdalas, comprimento exagerado do palato mole ou distúrbios relacionados a língua, como por exemplo macroglossia (aumento do tamanho da língua).
Além da obstruções internas da cavidade bucal, o ronco e apnéia do sono podem ocorrer por problemas no posicionamento dos maxilares. Quando o paciente apresenta um retrognatismo, há uma predisposição para a obstrução das vias aéreas, pois as bases ósseas dos maxilares estão “para trás”, o diâmetro das vias aéreas normalmente encontra-se reduzido, o espaço para acomodação da língua também é reduzido e a tensão muscular para a manutenção da permeabilidade aérea da faringe está comprometida.
Por fim, a obstrução em nível cervical geralmente está associada ao acúmulo de gordura na região do pescoço. Além disto, outros fatores como alcoolismo, uso de drogas ou outros hábitos que causem relaxamento demasiado podem ser a causa do problema. Por isso, uma avaliação meticulosa e determinação exata do local de obstrução e sua causa são fundamentais para o sucesso do tratamento.

 

Como fazer o diagnóstico de apnéia obstrutiva do sono?

Assim como a maioria das patologias, é necessário uma avaliação clínica detalhada e solicitação da documentação adequada. A documentação padrão compreende: (1) fotografias da face; (2) fotografias intra-bucais; (3) tomografia de face e pescoço; (4) modelos de gesso das arcadas; (5) polissonografia.
Além disto, também é muito importante: (1) anamnese e aplicação de questionário específico para apnéia obstrutiva do sono; (2) relatos do próprio paciente portador da apnéia obstrutiva do sono e das pessoas mais próximas, como cônjuges, pais e filhos; (3) avaliação clínica dos locais de obstrução e mensuração da circunferência cervical; (4) aferição do índice de massa corporal; (5) identificar o grau de apnéia do sono de (Classificação da Universidade de Stanford em leve, moderada ou severa).
Desta forma, é possível determinar a exata do localização da obstrução das vias aéreas, os fatores associados ao desenvolvimento da apnéia do sono e quais abordagens serão necessárias para o sucesso do tratamento.

 

Existe tratamento para ronco e apnéia obstrutiva do sono?

O tratamento do ronco e da síndrome de apnéia e hipopnéia do sono varia de acordo com a gravidade do caso e pode necessitar de uma intervenção multidisciplinar. É fundamental salientar que identificar a região de obstrução e suas causas é essencial para o sucesso do tratamento. Sem isto, existe um alto risco de insatisfação com os resultados e o tratamento está fadado ao fracasso! Assim, o primeiro passo no tratamento deve ser a correta identificação do local de obstrução e a assimilação da gravidade do problema, para então definir a abordagem adequada.
Lembrando que o tratamento deve ser direcionado ao problema existente, cada paciente será tratado de uma forma específica. Porém, dentre os principais métodos de tratamento para o ronco e a apnéia obstrutiva do sono podemos citar:

  • Emagrecimento com dieta equilibrada e exercícios físicos regulares, sob orientação do médico nutrologista, endocrinologista, nutricionista e educador físico;
  • Cirurgias de desobstrução nasal, realizadas por um otorrinolaringologista quando o problema é isolado ou realizada pelo cirurgião bucomaxilofacial quando o problema está associado a deformidades dos maxilares;
  • Cirurgia ortognática de avanço bimaxilar, realizada pelo cirurgião bucomaxilofacial, que resulta em abertura definitiva das vias aéreas superiores por meio do reposicionamento anterior das bases ósseas dos maxilares e mantém a permeabilidade aérea da faringe durante o sono;
  • Aparelho intra-bucal de uso noturno que projeta a mandíbula e estimula a abertura das vias aéreas durante o sono;
  • Aparelhagem conhecida como CPAP (contínuos positive airway pressure device), que gera um fluxo continuo de ar sob pressão, oxigena o corpo e impede a obstrução das vias aéreas.